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terça-feira, 11 de agosto de 2009

SUA BÍBLIA MERECE CONFIANÇA?


















Por Jorge Fernandes Isah



Há algo que realmente não entendo, e do qual não li, até agora, nenhuma explicação plausível para o sua veracidade. Os exegetas e hermeneutas reformados(1) sempre afirmam que a Escritura é inerrante, divinamente inspirada e infalível, contudo, esse conceito não é corroborado em relação às cópias e às traduções. Algumas simples perguntas: 

Primeiro, se as cópias e traduções não são infalíveis, como saber se o original é?... Talvez, respondam: o texto bíblico afirma que a Escritura é infalível... Tudo bem, concordo. A Escritura diz isso de si mesma. Mas se o que temos são cópias e traduções do original, o qual já não existe, é possível inferir então que nem tudo que está escrito na Bíblia é correto, certo? Já que elas (as cópias) não são infalíveis, inerrantes e divinamente inspiradas, como saber se o que está escrito é certo ou errado? 

Segundo, outros diriam: O volume de cópias contendo um mesmo princípio e texto revela que ele é verdadeiro... Mas se as cópias não são infalíveis, não é possível ao erro ser copiado inúmeras vezes e constar de inúmeras cópias, permanecendo como erro, a despeito da quantidade de provas da sua existência? 

Terceiro, Deus, o qual garantiu a infalibilidade, inerrância e inspiração da Bíblia não seria poderoso o suficiente para "garantir" que as cópias(2) também permanecessem tal como os originais, e fossem fielmente transmitidas nos séculos vindouros? Por qual motivo Ele não preservaria essas qualidades às cópías, visto que elas chegariam ao Seu povo, no futuro, como a expressão da Sua revelação ao homem? 

Muitos teólogos e estudiosos dizem que apenas os originais ou autógrafos são inerrantes, infalíveis e divinamente inspirados. Porém, como é possível que se saibam inerrantes, infalíves e divinamente inspirados se não existe um só autógrafo na atualidade para comprová-lo? Existindo apenas cópias desses originais, as quais, para eles, não detém as características dos autógrafos, o que teríamos seria a Palavra fiel de Deus? Em outras palavras, o que eles defendem é a impossibilidade de se crer naquilo que as cópias dizem, ainda que o digam dissimuladamente; enquanto outros, descaradamente, confirmam essa falsa premissa. 

Pelo que consta, apenas o pr. Paulo Anglada(3) entre os reformados, sustenta a fidelidade das cópias, as quais mantêm as mesmas virtudes dos originais. E junto-me a ele em coro. Não é possível eu pegar a minha Bíblia e lê-la, acreditando ser a Palavra de Deus, sem que ela seja inspirada, inerrante e a infalível revelação do próprio Deus. Do contrário, seria um livro qualquer, e não a regra de fé e vida do cristão. Como os liberais e emergentes asseguram: seria apenas um livro moral entre tantos livros morais existentes. 

Portanto, para mim, permanece um enigma essa declaração dos exegetas reformados (pelo menos, parte deles), e os seus argumentos levam-nos a apenas uma constatação: a Bíblia que lemos pode não ser a Palavra de Deus. E isso, no mínimo, é um absurdo, visto que eles mesmos são guiados e orientam outros a guiarem-se por ela. 

Pode as cópias conterem algo que o texto original não contém? Não. A própria palavra de Deus garante que a Bíblia é a expressão da revelação divina, e de que Ele preservá-la-ia fielmente contra qualquer corrupção (Dt 4.2, Jr 1.12, Sl 119.160, Mt 24.35,1Pe 1.23-25).
Desde a igreja primitiva, por exemplo, sabe-se que as cartas paulinas eram copiadas e lidas em várias igrejas em continentes diferentes (circulavam entre as inúmeras igrejas), e nem por isso pairou qualquer dúvida quanto à sua legitimidade. 

Para mim, é apenas mais uma contradição humana entre tantas que os religiosos evangélicos têm. E o que fica, ao fim, é a Escritura infalível, inerrante, poderosa e inspirada divinamente: a palavra do bom e gracioso Deus(4).

Notas: (1)Não é uma crítica exclusiva aos reformados, nem um tom de criticar os reformados. É que o crente, reformado ou não, no intuito de, muitas vezes, garantir a veracidade de algum dogma ou conceito, se cerca de "garantias" humanísticas provenientes em sua maioria da ciência, em especial da metodologia, arqueologia e filosofia que, ao invés de assegurar, confunde aquilo que é explícito na revelação escriturística. Os reformados acertam na maioria dos seus princípios, mas não dá para concordar naquilo em que erram. É pouco, mas ainda assim, são erros. E o que falar dos batistas (e sou um batista), dos pentecostais e neo-evangélicos?
(2)Interessante que os textos utilizados para as diversas traduções até o séc XIX foram o Texto Massorético hebraico e o Textus Receptus grego (Texto Majoritário; nas língua originais), os quais perfazem mais de 98% das cópias preservadas ainda hoje; onde há uma impressionante uniformidade textual e, historicamente, foram desde o princípio recebidos pela igreja como cópias fiéis do texto original.
A partir da metodologia "crítica" adotada por Westcott e Hort, cuja base é simplesmente a de “confiar” na cópia mais antiga, na cópia mais próxima do original, mormente os códices Sinaítico e Vaticano (texto eclético; menos de 2% das cópias), o espírito cientificista e racional tem procurado levar ao descrédito o Texto Majoritário.
Somente entre os textos ecléticos há mais de 3.000 diferenças entre si, e muito mais em relação ao Texto Majoritário (o qual, como já disse, tem uma uniformidade maravilhosamente admirável).
(3)O pr. Paulo Anglada é pastor presbiteriano da Igreja Presbiteriana Central do Pará, proprietário da Knox Editora, e autor de vários livros. Em especial, abordando a questão escriturística, indico o ótimo livro “Sola Scriptura” (leia o meu comentário ao livro AQUI), Editora Os Puritanos, onde ele defende a suficiência da Bíblia a despeito da descrença liberal (e às vezes ortodoxa) dos defensores do texto crítico, também conhecido como movimento da Crítica-Textual ou Alta Crítica.
(4)Entendo que, como as cópias, Deus preservou as traduções que se baseiam nas cópias igualmente preservadas. O texto eclético, de onde se originou a Almeida Atualizada, Almeida Século XXI, NVI, e a aberração chamada NTLH, mostra a sua “fragilidade” pela quantidade de erros (p.ex., o papiro P66 apresenta uma média de dois erros por versículo), pelo número reduzido de cópias (demonstrando sua pouca ou nenhuma utilização pelas igrejas), e o próprio descrédito com que a igreja o tratou (o Códice Sinaítico foi "salvo" por pesquisadores russos quando estava prestes a ser incinerado no mosteiro ao sopé do Monte Sinai em 1859). 
Sabemos também que muitos heréticos dos primeiros séculos corromperam e “reescreveram” parte da Bíblia, como Marcião, por exemplo; os quais, bem como suas doutrinas, foram rejeitados pela Igreja Primitiva, assim como os textos apócrifos. Fica a pergunta: não é estranho que após dezenas de séculos no ostracismo, somente pouco mais de cem anos atrás o texto eclético ganhou “status” de palavra de Deus?.
Assim, creio que a tradução fiel ao Texto Majoritário é a realizada por João Ferreira de Almeida, disponível no Brasil como ACF (Almeida Corrigida e Fiel, editada pela SBTB); e, desta forma, Deus preservou infalivelmente a Sua palavra em língua portuguesa. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

DESCONTINUIDADE RADICAL*












Por Jorge Fernandes

Há uma tese que defende a distinção extremada entre o Deus do AT e o Deus do NT, chamada Descontinuidade Radical, a qual despreza o AT como Escritura divinamente inspirada, a reputar Deus como um ser “irado” em contraste com o Deus do NT, o qual é “complacente”, quase um cúmplice do homem. Este é um conceito distorcido, herético e diabólico, que leva à incredulidade e a fé em um deus irreal, distorcido, utópico e feito à imagem do homem; e o grande problema é exatamente este: querer explicá-lO através dos nossos olhos, da nossa mente e dos nossos corações caídos e enganosos.
Desqualificar o AT como parte do Cânon, não crendo na sua inspiração divina, inerrância e infalibilidade, a fim de amoldar Deus segundo os conceitos e percepção errados do homem é excluir o que não se enquadra à mente, pensamentos e suposições nitidamente corrompidos. Portanto, parte das Escrituras (no caso o AT) devem ser negadas para que o homem e sua filosofia sejam confirmados. É uma impostura, um blefe, um sofisma que lança em densas trevas os seus defensores, afastando-os cada vez mais da verdade do Evangelho.
O AT é parte das Escrituras juntamente com o NT, e disso, ninguém pode duvidar sem incorrer em blasfêmia contra o Espírito Santo, que é o seu autor.
Numa clara inversão de valores o pecado do homem é transferido para Deus, lançando-se sobre Ele a culpa exclusivamente humana. É uma espécie de auto-absolvição-condenatória, em que os perfeitos desígnios de Deus são impossíveis de se realizar diante da “justiça” e do conceito erroneamente humano do bem e do mal. Se fossemos capazes de discernir entre o bem e o mal naturalmente, porque Deus nos daria a Lei Moral? Por ela, Ele estabeleceu o padrão de certo e errado, de justo e injusto, de bem e mal, de moral e imoral.
Ainda assim, com todos os alertas, baseados em uma falsa justiça, pecamos ao desobedecê-lO. Como então podemos questionar as ações de Deus? Ao que Paulo diz: "Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?" (Rm 9.20).
Baseiam o seu “deus” no amor que dizem Cristo ter, não o amor real e eterno que o Senhor tem, mas um amor conivente, condescendente, preso e afeito à vontade do homem. Este tipo de amor tão alardeado e propalado entre os cristãos em nossos dias não é o amor de Deus revelado nas Escrituras, antes é extra-bíblico e claramente enganoso, um artifício maligno de satanás, que o vem repetindo de tempos em tempos nas mentes e corações incautos. Pois afirmam que Deus seria incapaz de fomentar a destruição, a matança e o extermínio dos povos inimigos de Israel (por conseguinte, inimigos de Deus, visto que Israel era o Seu povo eleito), como fez com os cananeus, os amorreus, os amalequitas... Então, os relatos veterotestamentários não são condizentes com a “imagem” que fazem de Deus, logo, o AT não é parte do Cânon divino.
Por outro lado, apegam-se a um tipo de amor que as Escrituras não revelam. Cristo é corporalmente a plenitude, a completude de Deus (Cl 2.9), portanto, Ele é amor, mas é igualmente, santidade, justiça, retidão... Senão,vejamos:
1) Não foi com a autoridade e santidade de Deus que Jesus condenou Cafarnaum ao afirmar: "E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje" (Mt 11.23)? E o que pode ser pior? O extermínio físico dos cananeus e outros povos, ou a condenação eterna ao inferno?
2) Paulo diz a Timóteo que Jesus julgará o mundo: “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” (2Ti 4.1).
3) Quando necessário, Cristo usou de sua autoridade divina para julgar os fariseus e sacerdotes: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.33).
4) Igualmente, Ele agiu conforme os Seus atributos de santidade e justiça ao irar-se contra os mercadores no templo: “E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas” (Mt 21.12).
Dizer que Cristo revelou-se apenas em amor é mentira, é distorcer a Bíblia. Porque Cristo é a 2a. pessoa da Trindade Santa, e, portanto, igualmente justo, reto, santo e inimigo do pecado tanto quanto o Pai e o Espírito Santo. Quando voltar, Cristo não voltará como servo sofredor, mas como Juiz, Senhor, Rei e Guerreiro, o qual aniquilará definitivamente o mal, o pecado e todos os rebeldes que se utilizam indevidamente do amor de Cristo para tentar torná-lO cúmplice dos seus pecados.
Deus não age como o homem, nem tem as limitações do homem, portanto, ainda que não entendamos (muitas vezes porque queremos fazer Deus igual a nós), a Sua justiça e santidade podem ser percebidas ainda que na "aparente" injustiça do massacre dos povos inimigos de Israel (e porque não, no próprio sofrimento do povo de Israel). Afinal, não são elas conseqüências do pecado e da rebeldia contra o Todo-Poderoso? As quais faz-se necessário julgá-las? Pode o pecado ficar impune? Sem castigo? E o castigo ao pecador impenitente não denota a santidade e justiça de Deus, e o amor por Si mesmo e por Seus eleitos?
Por isso, Ele deu o Seu Filho Amado para expiação dos pecados do Seu povo, dos Seus eleitos, para que sobre eles não viesse a condenação.
Infelizmente, a visão distorcida do homem faz de Deus um ser suscetível, impotente, frágil diante do pecado, da desobediência, do diabo e da vontade humana. Segundo eles, Deus somente pode ir aonde o pecado, o diabo e a rebeldia do homem não chegaram. Ali, a Sua soberania pára, e dá lugar à ação dessas criaturas. Como explicar, então textos como Dt 32.39-43 e Is 45.7?
Jamais podemos olhar-nos e, através da nossa imagem, do que vemos em nós, de nós mesmos, explicar a Deus. Antes, é Ele quem nos define, explica, transforma, e um dia, nos manifestará como é em plenitude, em glória; porque, pela revelação das Escrituras, todos os atos de Deus são bons, justos, santos e retos, mesmo os que não entendemos, aceitamos ou julgamos maus, pois "quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos" (Rm 11.33).
A falta de humildade, de se reconhecer o quanto somos imperfeitos, e a necessidade de nos justificar perante Deus, cria esse "mar" de distorções, de enganos e mentiras. Bastaria ao homem reconhecer em Deus aquilo que Ele nos revelou de Si no Cânon. E se não o aceito, jamais conhecerei ao Deus Único, Vivo e Eterno.
A falta do conhecimento bíblico e de Deus leva o incauto a julgar que Deus não é "páreo" para as convicções humanistas e liberais, como se a filosofia pudesse anular o que Ele é; e ao invés de julgar o homem em sua pecaminosidade, volta-se contra Deus e sua Palavra, julgando-O a partir de falsas e frágeis premissas, sem reverenciá-lO e glorificá-lO como o Deus revelado nas Escrituras (e naquilo que Ele quis nos revelar).
O discurso é restritivo, pois apresenta apenas um dos atributos de Deus: o amor. Mas e a justiça, santidade, retidão...? E a aversão ao pecado? E a necessidade de se condenar o pecador?
Posso afirmar que o adepto da “descontinuidade radical” é alguém que flerta com a apostasia, a heresia; é um lobo em pele de cordeiro com sua pretensa bondade, pois, não há outro termo para se referir a quem questiona, despreza e incita vergonhosa e fraudulentamente a rejeição ao AT, à Palavra de Deus: "Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor" (2Co 6.17).

*Síntese dos meus comentários ao livro "Deus mandou matar?" em http://kiestoulendo.blogspot.com/2008/08/deus-mandou-matar.html