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sábado, 20 de setembro de 2008

VOCÊ ESTÁ MORTO?












Por Jorge Fernandes

A morte é inevitável. Todos morrerão um dia, a menos que, antes o nosso Senhor volte em glória para unir-se à Sua igreja. Enquanto isso, não damos muita importância a ela, ou fingimos não dar, mas sentimo-la rondar-nos. Sua presença é constante, seja nos noticiários, nos filmes, livros, no trabalho, nas ruas, na mente...
Às vezes é alardeada pelas sirenes, pelas multidões nos velórios, pelas páginas dos jornais, pelos gritos de desespero... Outras vezes, uma manchinha de sangue na calçada, uma lágrima furtiva, ou um aperto silencioso no coração impedem que ela passe despercebida... Em alguns casos, ocorre anônima sem que alguém note, sem que haja um nome, e mesmo um corpo.
A morte pode vir súbita como num acidente, ou prolongada por uma doença dolorosa; pode nos atingir prematuramente, mesmo no ventre materno, como muito avançada em idade; não escolhe sexo nem cor, peso nem altura, fortes nem débeis, ricos nem pobres; acomete tanto na terra, no ar, ou mar... quase alcançou os tripulantes da Apolo XIII, em pleno espaço sideral.
Ela está a rondar solerte, pairando sobre nossas cabeças, pronta para decepá-las. Pode vir como uma brisa prolongada, ou como uma borrasca instantânea, mas, invariavelmente, não será precedida por uma festa ou alegria [mesmo contida] do candidato a morto; e revelará aos vivos a transitoriedade da vida.
Por falar em vida, o que ela é? [esquecendo-nos um pouco da morte]. Podemos defini-la como existência, animação, tempo, estilo ou um modo de se subsistir. Mas em todas essas definições ou alusões temos um estado finito, efêmero, no qual ela estará sujeita à temporalidade, o que levará muitos a crer apenas na sua materialidade, numa realidade exclusivamente terrena; e esta conclusão nem mesmo é uma ínfima fração da verdade.
Definição precisa [ainda que amarga] nos deu um homem sobre a vida terrena: “Os meus dias são mais velozes do que a laçadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é como o vento” [Jó 7.6-7]. Moíses concluiu: “Passamos os nossos anos como um conto que se conta” [Sl 90.9]... “Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” [Tg 4.14]. Portanto, a vida é algo fácil de perder, pode nos ser tirada a qualquer momento, ainda que a julguemos segura, e esforcemo-nos em propiciá-la. O alento de sustentá-la nunca será suficiente, mesmo que o dispensemos diligentemente... Diante da mais sutil ameaça, a angústia sobrevirá, pois o fim de todas as coisas é a morte: “Que homem há, que viva, e não veja a morte? Livrará ele a sua alma do poder da sepultura?” [Sl 89.48].
Mesmo a vida, num determinado momento, se sujeita a ela...
Não quero trazer-lhe tristeza, nem angústia, nem apressar o que talvez demore ainda muito tempo a acontecer. Ao tocar neste assunto, quero falar é da esperança e da certeza que nem mesmo ela, a morte, é capaz de destruir.
A Bíblia afirma que o último inimigo ao qual o Senhor Jesus derrotaria seria a morte [1Co 15.26] , “porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés” [v.27].
Como homem, Cristo padeceu e morreu na cruz do Calvário, para expiar os nossos pecados, e nos dar vida eterna; “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” [Rm 6.23]. Cristo morreu para que tivéssemos vida, não apenas por alguns anos ou décadas, mas por toda a eternidade.
Por Sua graça e misericórdia substituiu-nos, recebendo a ira divina que nos seria destinada; “porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” [1Co 15.21-22].
Ao terceiro dia, Ele ressuscitou, e então, o jugo da morte não mais prevaleceria sobre o Seu corpo; Ele venceu-a: “tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele” [Rm 6.9].
Assim, todo o que reconhece o Seu sacrifício na cruz herdará a vida, e jamais morrerá, porque a primeira morte é física, mas a segunda morte é a completa e eterna separação de Deus, quando os que se mantiveram rebeldes a Ele serão lançados no lago de fogo inextinguível, ou seja, a morte definitiva, inexorável. Cristo, através da Sua morte, deu-nos a vida, a qual nem mesmo o tempo será capaz de destruir, porque, como disse, “se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte” [Jo 8.51], “não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” [Jo 5.24].
Portanto, não há o que temer, antes, ansiar o momento em que encontraremos o nosso Senhor e Salvador, como Paulo disse ao referir-se à própria morte: “tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” [Fl 12.3].
Deus é o protetor da vida; devemos depositá-la em Suas mãos, o qual é fiel para conservá-la, “porque eu sei em quem tenho crido [Cristo], e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” [2Tm 1.12], quando O vislumbraremos face a face, “porque assim como é o veremos” [1Jo 3.2]. Porquanto, os efeitos dos nossos inimigos, o pecado e a morte, foram anulados por Jesus Cristo, tragados por Sua vitória [1Co 15.54].
Então, a morte torna-se inofensiva diante da gloriosa vida que Deus nos concede; não a todos, mas para os que confessarem Cristo, pois, “qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” [Mt 10.33]; porque “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" [Jo 14.6].
Sem Cristo, você já está morto!

terça-feira, 4 de março de 2008

REBELIÃO

(Definição: Ato de se rebelar; revolta; sublevação; desobediência; transgressão de uma ordem)







Por Jorge Fernandes

A rebelião implica na revolta contra uma autoridade, na quebra da ordem, na ilegalidade; sendo, portanto, um crime e passível de punição. Esta é a condição do homem natural: insurgente contra Deus, “não o glorificou como Deus, nem lhe deu graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” (Rm 1.21); encontra-se em teimosa e contumaz desobediência, em delito, e sobre ele a ira de Deus se manifesta (Rm 1.18).
O pecado é o crime contra a autoridade de Deus; é a prova de que somos rebeldes, e de que, por ele, seremos julgados e condenados. Muitos não acreditam na existência do pecado. Muitos se escondem na premissa de que o homem é imperfeito, e, portanto, sujeito ao erro, e de que não há quem não o cometa; sendo assim, temos de aceitar a nossa natureza como ela é, pois não há nada a se fazer, e refutam a idéia do pecado (1Jo 1.8). Muitos, para a sua própria perdição, se deleitam e se comprazem no mal que praticam, dizendo-se sábios, tornam-se loucos (Rm 1.22).
O pecado, transigido, foi aceito como algo inevitável, como parte da natureza humana contra o qual, antes de se combater, podemos usufruir, ainda que infame, ainda que “inatural”, ainda que inflame e incite a toda a sorte de sentimentos perversos. O homem, em nome de uma pretensa liberalidade, tornou-se impotente escravo de suas paixões e delitos (Jo 8.34), dominado, subjugado por um sofrimento infinito que se perpetuará numa tragédia por toda a eternidade. “Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo” (2Pe 2.19).
A despeito de todos os avanços da ciência, o homem morre e está morto. Apenas o Senhor pode trazê-lo à vida. Quando Adão transgrediu a ordem de Deus de não comer do fruto da árvore do bem e do mal, o pecado entrou na humanidade, e, por conseguinte, a morte (Gn 2.17; Rm 5.12). Depois, o que se viu foi a rápida degradação, a ponto de Caim, deliberadamente, matar a seu irmão Abel (Gn. 4.8). Antes, Caim foi alertado pelo Senhor: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (Gn 4.7). Mas a inclinação inevitável para o mal e a desobediência (decaído em sua miséria), levou-o ao assassínio e as lamentáveis conseqüências do pecado.
Hoje, como no passado, a maldade tem-se tornado a marca característica da humanidade. Não há o temor a Deus, e nem sabedoria (Sl 111.10)... “O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama” (2Pe 2.22). Assim encontra-se o homem, refestelando-se na dissolução, entregue às cadeias da escuridão, ficando reservado para o juízo, para ser castigado (2Pe 2.4;9).
Sem a convicção do pecado, o homem está morto em seus delitos; como o condenado à morte, seus crimes levá-lo-ão ao fim. E o fim é perecer eternamente. Diferente do condenado à morte, se ele confessar a sua culpa, se arrepender, será salvo.
Por isso, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, morreu na cruz: para salvar os pecadores arrependidos. Não há outro jeito, nem forma ou maneira. Apenas o sacrifício que o Senhor fez na cruz do Calvário é capaz de livrá-lo da imputação dos seus crimes. “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.13-14).
Pedro, falando sobre Jesus em Atos 4.11-12, disse: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.
Esta é a verdade: a rebelião é uma afronta a Deus, é trata-lO com desprezo, em transgressão; e assim, estamos afastados, mortos para Ele; sepultados em iniqüidades, não temos vida, e a barreira que o nosso pecado erigi, separa-nos de Deus.
Como natimortos, em Cristo somos ressuscitados, e Ele é o único capaz de derrubar o obstáculo que nos separa de Deus, e de nos reconciliar com Ele, perdoando as nossas ofensas. Apenas o Senhor, e tão somente o Senhor Jesus, pode restaurar a nossa relação com o Altíssimo, absolvendo-nos dos crimes pelos quais o justo Juiz nos sentenciaria e proclamaria: CULPADO! (Sl 7.11; 2Ti 4.8). Ele mesmo cumprindo na cruz do Calvário a pena que nos foi fixada, pelo seu imenso amor substituiu-nos, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus, quando seria-nos impossível realizá-lo (1Pe 3.18).
Confessar os pecados e a rebeldia diante de Deus, e receber o inevitável e maravilhoso perdão de Cristo, dar-nos-á vida em abundância; encher-nos-á de alegria o coração, auferindo-nos o gozo eterno.
Ou Cristo, ou a ruína. Ou Cristo, ou a vida ceifada. Ou o amor e a salvação de Cristo, ou a Sua ira e juízo. Pois ao rebelde, o indulto apenas é-lhe concedido por Jesus, que o converte em servo resignado, o qual passa a obter a graça do seu Senhor. Recebemos o Espírito que provém de Deus, abandonando o espírito do mundo (1Co 2.12); e a paz e a ordem que nos é dada, gratuitamente, tomam o lugar da rebelião e do caos, e nos faz navegar por águas tranqüilas ao invés de nos arrastar pelas sarjetas terrenas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

MORTE A CRÉDITO


Por Jorge Fernandes

O Carnaval acabou!
Para mim, foi um período de descanso, de leitura da Bíblia, de oração e de cumprir a vontade de Deus nos trabalhos da igreja e no meu lar. Para a maioria dos brasileiros, foi um momento de se extravasar, de êxtase, de sair, ainda que por alguns dias, da realidade. Mais uma tentativa de se obter algum alívio, um refrigério para a alma. A ilusão na qual o homem se lança a cada novo feriado, a cada nova viagem ou conquista. Passada a euforia, a quimera, resta a angustiante espera do próximo feriado, viagem ou conquista. Um círculo girando ao nosso redor, que nos agrilhoa em cadeias de metal, e do qual não saímos. É uma esperança vã, em que ao apagar das luzes, ao cair dos enfeites, fantasias e máscaras, no silêncio dos tambores e alto-falantes; ainda os corpos entorpecidos pelo álcool, drogas ou cansaço; no último esforço alardeia-se: “rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”; mas não passa de um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu (Ap 3.17), solitário e envolto em trevas.
As imagens na TV são de um arroubo desmedido, irrazoável, como se todos enlouquecessem de uma hora para outra, ao mesmo tempo. Equivale a aplicar doses de metanfetamina em símios e largá-los nas Lojas Americanas ao som do System of a Down, com tudo ao alcance, sem qualquer restrição. Provavelmente, os primatas se comportariam melhor do que os humanos durante a festa de Momo; o que nos leva a refletir sobre a improbabilidade da teoria da evolução de Darwin, visto que o pior espécime está no topo da cadeia, e isso é impossível segundo o seu esquema burlesco.
O que falar das estatísticas de acidentes, de mortes, de crimes praticados durante essa festa; de corpos desacordados debaixo de marquises, de fragmentos de uma alegria fugaz espalhados pelas ruas, de ébrios cambaleantes em pontos de ônibus, dos gritos que silenciaram, dos sorrisos transformados em choro, das imagens efêmeras que se dissiparão em poucas horas, da dor plantada no coração de famílias, das perdas, da tristeza, do vazio. É como o escritor Louis-Ferdinand Céline disse: uma morte a crédito.
E esta morte é inevitável; nos acompanha desde o nascimento, instala-se progressivamente, e acometerá cedo ou tarde a todos, sem exceção. E tentamos, esforçados, subjugá-la, mantê-la a uma distância segura, muitas vezes, ignorando-a. Mas como uma fera espreita a caça, ela nos ronda, nos instiga, dá-nos a falsa segurança de desistir, e mesmo que se escape vez ou outra, fatalmente nos sucumbirá.
Mas esta morte física não é eterna, Deus nos promete a ressurreição. Nossos corpos corrompidos serão transformados em corpos gloriosos. Como Cristo que morreu e ressuscitou dos mortos, incorruptível, também o seremos, pois morreu por nossos pecados. E a vitória que jamais obteríamos, Ele obteve por nós na cruz do Calvário, porque tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o seu aguilhão? Onde está, ó inferno, a sua vitória? Graças a Deus que nos dá a vitória em Jesus Cristo nosso Senhor (1Co 15.54,55;57).
Para isso, é necessário o arrependimento dos pecados, de uma vida dissoluta, de agravo a Deus; porque o aguilhão da morte é o pecado. Ele nos mantém enredados no círculo que nos escraviza e domina sobre a nossa carne, e a carne sobre nós, e nos sujeita à morte. Em seu jugo, cremo-nos alegres, numa feliz explosão dos sentidos, que é apenas o debater-se do paralítico no pântano, sem qualquer possibilidade de socorro. Então a alegria já não é alegria, ela é a tristeza, e nos consome. Mas Cristo resgata-nos mediante o perdão, porque a tristeza no mundo gera a morte, mas a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende (2Co 7.10).
Se o homem natural (sem Cristo) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente, o homem espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido, porque tem a mente de Cristo (1Co 2.14-16).
Se o homem natural morre pouco a pouco, o homem espiritual já vive eternamente, porque nele habita o Filho de Deus, no qual está a vida em plenitude, em glória.
O Carnaval acabou...
Resta-lhe a espera de mais um ano para, quem sabe, talvez não alcançá-lo. Se conseguir, lembre-se de que a morte avizinha-se com o golpe certeiro, e ela o manterá cativo perpetuamente.
Ao contrário, Cristo, por sua morte, nos dá vida por vida, revestindo-nos da Sua glória, e, definitivamente, jamais morreremos.