sábado, 18 de outubro de 2008

O QUE É APOLOGÉTICA?











Por Jorge Fernandes

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15)

Apologética é a defesa sistematizada e racional da fé cristã. As cartas paulinas e as cartas universais são exemplos de apologética. Ali, os apóstolos e discípulos do Senhor Jesus Cristo defendem o Evangelho contra os ataques insistentes e insidiosos dos judaizantes e dos gnósticos. Aqueles pregavam a salvação pelo cumprimento da Lei, estes, creditavam a salvação pelo conhecimento, ainda que esse conhecimento fosse fruto de distorções da verdade. Assim, eles desqualificavam a mensagem do Evangelho: a salvação exclusivamente pela graça de Deus. Ambos eram deformações dos princípios pregados por Cristo e os apóstolos; e, tanto os judaizantes como os gnósticos, infiltraram-se sorrateiramente na Igreja, eram aceitos como crentes, mas estavam a serviço do seu deus, Satanás, e pregavam heresias com o único intuito de destruir o povo de Deus.
Foi percebendo essa ameaça que Paulo alertou os bispos de Éfeso: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai...” (At 20.28.31).
Orientado pelo Espírito Santo, Paulo percebeu que muitos pregariam outro evangelho, e chamou a esses de malditos, traidores da fé: “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1.9).
Portanto, desde os primórdios da Igreja, os ataques malignos vêm sucedendo-se, com variações da mesma fórmula: rejeitar e negar a autoridade de Cristo como o Cabeça da Igreja; rejeitar e negar a autoridade das Escrituras Sagradas; rejeitar e negar a autoridade da Igreja; rejeitar e negar a Verdade; rejeitar e negar Deus.
Sutil e sorrateiramente, manipulando a palavra e torcendo o significado das Escrituras, esgueiram-se pelas fileiras de cadeiras das congregações, destilando o seu veneno e ódio a tudo o que diz respeito a Cristo, e à fé uma vez dada aos santos (Jd 3). O objetivo desses lobos em pele de cordeiros é o de “imitar” o trabalho do Espírito Santo, parecendo sinceros, inofensivos e utilizando-se de uma linguagem que soa espiritual (muitos citam as Escrituras com habilidade), e, através dos seus ideais “quase cristãos”, almejam remover os fundamentos da fé, demolir os alicerces da Verdade; e as conseqüências disso são o instaurar-se a confusão, a descrença, o nominalismo e o engano. Ao utilizar-se da astúcia, a heresia "contamina" as pessoas na igreja, pouco a pouco, tornando-a popular, exatamente por ser "quase a verdade", e se amolda perfidamente à natureza corrompida e pecaminosa do homem, o qual é incapaz de vê-la, e mesmo os que a vêm, por sua perspicácia, acabam por considerá-la inofensiva ou uma "verdade recriada". A capacidade que a heresia tem de reformular-se e aproximar-se da verdade, fazem as diferenças parecerem insignificantes, e as justificativas as tornam ainda mais diabólicos.
Hoje, o que se vê, não é propriamente a defesa da fé (tenho para comigo que a verdade não precisa de defensores, ela por si só defende-se a si mesma, porém, deve ser proclamada, e jamais escondida a "sete chaves", como um tesouro secreto), mas a defesa de conceitos e dogmas apóstatas, ou seja, a renúncia, o abandono do Evangelho de Cristo em favor das deturpações doutrinárias, de algo aparentemente cristão, mas que, diante da lente da revelação divina, as Sagradas Escrituras, denunciam o que realmente são: a falsificação da verdade. E, quando se abandona a objetividade da Palavra e o viver santo, para viver a subjetividade do coração e uma vida dissoluta, essa falsa liberdade os manterá presos, escravos de seus desejos.
Ao desprezar a Verdade, a qual é Jesus Cristo (Jo 14.6), o homem, norteado pelo humanismo, acomoda-se no redil das incertezas, no pecado, tornando-se conivente e participante do mal (Rm 1.32). Somente Cristo pode libertá-lo através do Evangelho, pois, sem Ele tudo é permitido, mas nada possível... Sem Ele, a condenação é a mais pura verdade.
Então, a Igreja não pode permanecer passiva diante do ataque inimigo, porque, após negligenciar a defesa da fé por anos, o passo seguinte é repudiar esse dever. E isso vem acontecendo em muitas denominações, na chamada igreja emergente (um segmento ultraliberal onde impera a filosofia pós-moderna), a qual afirma não haver verdade nem absoluto, e onde tudo é relativo, tornando-se agradável ao mundo (a própria afirmação é, por si só, um contra-senso, visto que, será capaz aos adeptos da i.e. crerem, conscientemente, em mentiras ou na não-verdade?). E dessa forma, em sua incredulidade, tentam fazer de Deus um fantoche, ou, como Nietzsche pretendeu, declarar a morte de Deus.
Na apologética residem o repelir as agressões aos princípios bíblicos, pois, o perigo é que, num ambiente onde eles encontram-se corrompidos e demolidos, não sobrará muito mais o que destruir.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

ABORTO & ELEIÇÃO












Por Jorge Fernandes

Deus nos fala de muitas formas; e nesta semana, Ele reforçou em meu coração dois conceitos bíblicos. Um sobre a nossa natureza, e outro sobre a Sua divina e perfeita natureza. Lendo o livro "E Agora, Como Viveremos", dos apologetas Charles Colson & Nancy Pearsey (CPAD), deparei-me com a narrativa de um obstetra americano, o Dr. Bernard Nathanson, o qual durante as décadas de 1960 e 1970, supervisionou mais de 60.000 abortos na clínica CRASH em NY (um nome, no mínimo, sugestivo para o local onde Nathason praticou assassinatos, inclusive, dois dos seus próprios filhos). Para ele, os fetos eram seres impessoais, dependentes completamente da vontade de suas "mamães", as quais detinham o"direito" de eliminá-los ou não. Assim, juntamente com grupos feministas e pró-abortos, fomentou a aprovação de leis que permitissem o extermínio em massa de bebês nos EUA.

Em 1973, tornou-se chefe da unidade de perinatologia do St. Luke's Hospital Center, passando a cuidar das mães e dos bebês (embora continuasse a praticar abortos). Sua função era monitorar os fetos eletronicamente, e tratar dos recém-nascidos doentes.

A ultrasonografia, lançada recentemente, era o que de mais moderno havia para se acompanhar o desenvolvimento do feto; e ele assistiu às imagens, pela primeira vez, juntamente com um grupo de residentes reunidos ao redor de uma paciente grávida. Durante o exame, ele percebeu que a sua mente abandonou o termo feto em favor do termo bebê. Tudo o que aprendera na faculdade de medicina fundiu-se às imagens na tela, e impactou a consciência de Nathanson, convencendo-o de que a vida humana existia no ventre desde o começo da gravidez (depois de apenas doze semanas, nenhum novo desenvolvimento anatômico ocorre no bebê; ele simplesmente fica maior e mais capaz de sustentar a vida fora do útero).

Em 1979, finalmente, decidiu não realizar mais abortos, qualquer que fosse a justificativa (ele ainda acreditava que o aborto, em casos especiais, era legítimo). Publicou livros, documentários, e realizou palestras contra o aborto, tornando-se um defensor da vida, o que lhe valeu a inimizade e o desprezo dos seus mais diletos aliados no passado.

Em 1989, após procurar alívio para sua alma em quase tudo: casas maravilhosas, carros da moda, esposas que exibia como se fossem troféus, adegas de vinho, cavalos, livros de auto-ajuda, terapia, drogas e misticismo, ele se converteu a Jesus Cristo [O Dr. Nathanson escreveu: "Eu estava morando com a suserania dos demônios do pecado, obviamente dedicando-me a tudo que estivesse vinculado ao aparente carnaval sem fim dos prazeres, a festa que nunca termina (como os demônios fazem acreditar)"].

Ao ler o seu testemunho, veio-me à mente Efésios 2:1: "E (Deus) vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados"; e, novamente, percebi o quão miseráveis e malditos somos, incapazes de nos achegar a Deus, e colaborar com a nossa salvação. Um pecador como Nathanson, como eu, como você, está morto em seus pecados, MORTO! Paulo diz em Efésios 2.3: "Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também"; harmonizando-se com as palavras de Cristo: "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados" (Jo 8.24). A única recompensa que fazemos jus é ao INFERNO, à punição de sermos condenados eternamente ao lago de fogo.

Mas aprouve a Deus, pela Sua graça, amor e misericórdia, nos resgatar das garras do maligno, e nos transportar para o Seu Reino de glória. Ele diz: "Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro" (Is 43.25); e ainda: "Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26.28); enquanto Paulo conclui: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8-9).

Portanto, a cada dia, devemos nos convencer da nossa condição amoral, pecadora e dissoluta diante do Deus Santo; e reconhecer que, ainda assim, Ele nos derrama a Sua graça, perdoando-nos, redimindo-nos, limpando-nos, regenerando-nos, tenha eu matado milhares de bebês indefesos ou não, pois, todos carecemos da salvação que somente há em Cristo Jesus nosso Senhor: "Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã" (Is 1.18).

Que a salvação dada pelo Senhor Jesus Cristo, a qual não temos mérito algum, o faça exultar, glorificando a Deus por tê-lo elegido antes da fundação do mundo (Ef. 1.4), assim como fez ao Dr. Nathanson.

Somente Ele é capaz de transformar um assassino em santo, pois, "isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" (Rm 9.16).

Texto escrito em 05/01/2008, publicado no extinto periódico "O Enviado".

sábado, 4 de outubro de 2008

A MORTE DA MORTE








Por Jorge Fernandes


Como adepto do existencialismo, vivi três meses de completa rejeição à idéia de Deus. Lá pelos meus dezenove anos, após “desviar-me” da igreja batista à qual era membro desde os dezesseis, vi-me seduzido pelo mundo, pela liberdade do mundo (livre para a devassidão), pela imoralidade, e o prazer carnal que ela trazia. A idéia de Deus que eu ouvira nas pregações, leituras bíblicas, e do testemunho de crentes fiéis não podia conviver com o meu novo estilo de vida, portanto, a primeira coisa a fazer era “matar” Deus, para não ter a consciência afligida, nem ninguém a cobrá-la.
E o que no princípio tornou-se uma festança, esbaldando-me em cada esquina, leviana e dissolutamente, foi dando lugar à dor, ao vazio e a desesperança. A mente, ao insurgir-se contra Deus, somente é capaz de ferir-se... desiludida, confusa, colide-se com o natural, e não é capaz de encontrar alívio em mais nada, apenas na própria dor. A mente flagela-se, dilacera-se, esmaga-se, não se aceita; incapaz de curvar-se, engendra saltos ainda mais profundos, e o que lhe resta é a própria autodestruição. O suicídio torna-se o alívio derradeiro: a suprema escolha ilógica do indivíduo, porque viver é por demais desalentador, é um esforço sobre-humano.
Como não há verdade objetiva nem absoluta, o existencialista sofre, angustia-se, revolve-se na existência frouxa da paixão, que, maquinalmente, o mergulha no poço da incerteza, ou na fuga à nulidade, à completa ignorância de si mesmo, do seu semelhante e do mundo.
Via-me como os personagens dos desenhos Looney Tunes que, invariavelmente, precipitavam-se no abismo ao serem perseguidos ou ao perseguirem alguém. Sequer percebiam o chão fugir-lhes sob os pés, e quando davam por si, estavam em queda-livre, de encontro à realidade, dura como o chão era para o Coiote, e quebravam a cara. A perseguição do Coiote ao ingênuo mas rápido Bip-Bip era irreal. Porém, o existencialismo despreza os outros, ridicularizá-os, ri-se deles enquanto chora convulsivamente diante do espelho... sem esperança... é patético.
Mesmo envolto em trevas, não me foi possível suportar o ateísmo [também os demônios crêem que há um só Deus, e estremecem (Tg 2.19)]. Porém, eu não queria abrir mão da imoralidade, da pretensa liberdade que me levava, única e exclusivamente, ao pecado, e a sugestionar e induzir outros incautos ao pecado [alguns nem tão incautos... outros, apenas a esperar um empurrãozinho]. Então, adeqüei-me ao deísmo, a idéia de que Deus não estava nem aí para a sua criação; como afirmei tolamente inúmeras vezes: “Deus fica no céu, e eu aqui! Ele não me incomoda, eu não mexo com Ele!”. Era o cúmulo da arrogância, da blasfêmia, da rebeldia contra Deus. Era a minha natureza caída opondo-se desavergonhadamente a Ele... Menos de um ano após a minha saída da igreja, eu acreditava em um deus impessoal, não cria no diabo, nem no inferno, e sentia-me confortado em saber que, no fim das contas, esse deus salvaria a todos, não condenaria ninguém, e que haveria um paraíso, mesmo eu sendo o que era, fazendo o que fazia. Mas esse aparente conforto não trouxe paz, porque a verdadeira paz, a paz interior, somente Cristo é capaz de propiciá-la [Jo 14.27]. Pelo contrário, quanto mais eu tentava fugir da idéia da morte, mais era atacado por ela, e as noites só eram possíveis após doses cavalares de álcool. De certa forma, mantinha-me anestesiado à noite, e anestesiava-me durante o dia, na espera da tarde chegar, e poder enfim embriagar-me novamente.
O que ficou claro nesses vinte anos, é que a aparente trégua entre mim e Deus não me trouxe tranqüilidade. Ao manter a distância, afastando-me mais e mais d’Ele, sobreveio-me uma dor crônica, infligindo-me tormentos, abrindo feridas que não foram curadas, mesmo com todos os paliativos filosóficos, estéticos e sentimentais administrados. Coube-me buscá-los, aplicá-los, desfrutar de momentâneo alento, e rejeitá-los por sua ineficiência... são quando as frustrações tornam o viver um flagelo, algo insuportável. O tempo passa, os métodos também, e ao olhar-se para si mesmo, vê-se apenas o fracasso. Então, a morte que fustigava, revela-se como a amiga mais próxima, aquela que nos revelará exatamente o que somos, da maneira mais temível, dura e impiedosa: “és pó e em pó te tornarás” [Gn 3.19]. Segue-se a loucura as vezes, a apatia as vezes, a irresponsabilidade, ou a negação outras vezes... como se possível fosse abandonar a vida, apagá-la completamente, como se jamais tivesse existido.
Então, quando tudo parecia perdido, Deus, do qual mantínhamos uma grande distância, encurta-a, aproximando-nos d’Ele. Não há como explicar... Imediatamente, somos içados do fundo do abismo. Instantaneamente, toda a treva se faz luz; toda tormenta se torna em bonança; toda aflição se torna em alegria... uma alegria inconcebível e surpreendente, tão magnífica que nos lança ao chão, e de joelhos, choramos o arrependimento pela rebeldia, pela afronta à santidade de Deus, clamando pelo Seu perdão. Cristo, o justo que morreu pelos injustos, para levar-nos a Deus [1Pe 3.18], é a fonte de toda essa transformação. Num átimo, sabemos o que somos; sabemos quem é Deus, e o que Ele começa a promover em nós pelo poder regenerador do Espírito Santo: antes mortos, agora vivos! Antes, andando segundo o curso deste mundo, em ofensas e pecados, éramos filhos da desobediência [Ef 2.2]; agora, pela misericórdia de Deus, pelo Seu muito amor com que nos amou, deu-nos vida em Cristo nosso Senhor [Ef 2.4-5]. Antes, fazendo a vontade da carne, na imoralidade (porque todo ato que não glorifica a Deus é pecado), éramos filhos da ira; agora, ao recebermos a Cristo, crendo no Seu santo nome, pelo Seu poder, somos feitos filhos de Deus, “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” [Jo 1.12-13]. É indizível... e resta-nos somente quedar admirados, e render-nos gratos diante da intervenção pródiga que nos libertou dos laços da morte, fruto da graça e misericórdia do nosso Senhor, pois éramos arredios e andávamos dispersos, e Cristo nos reuniu em um só corpo, como filhos de Deus [Jo 11.52].
Então, a nossa mente rebelde, que em toda altivez se levantava contra o conhecimento de Deus, pelo Seu poder, foi levada cativa à obediência de Cristo [2Co 10.5], o qual levou cativo o cativeiro, para que Deus habitasse entre nós [Sl 68.18]. Porque somos novas criaturas, “as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” [2Co 5.17]... Sonho? Delírio?... Não! Mas fé! Não uma fé humana, claudicante, flutuante, como “nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva” [2Pe 2.17]. Não. É uma fé viva, sobrenatural, que provém de Deus, sendo Sua doação a nós [Ef 2.8]; pois, “a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo. Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” [1Tm 1.14-45].
A morte já não exerce mais o seu domínio, pois passamos da morte para vida, pela vida que Cristo nos deu na Sua morte.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CABER











Por Jorge Fernandes

Frio,
Pés em modorra,
O silêncio,
A contemplar as pás girar.
Latido,
Revolve as tripas,
O sentido,
A latejar as pontas dos dedos.
Risco,
Lança-se ao desperdício,
O sonido,
A empilhar calafrios.
Rude,
Fustiga a pedra solta,
O sólido,
A fragmentar-se no moedor.
Freio,
Pedágio em terra estéril,
O sino,
A roer o osso.
Livre,
Rende-se à dor infinita,
O sono,
A fatigar em penas.
Inferno,
Não é apenas o torpor dos delírios.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

NÃO SOIS DAS MINHAS OVELHAS

Comentário João 10.22-42








Por Jorge Fernandes

A segunda seção do cap. 10 é a ratificação, o complemento de tudo o que foi apresentado na primeira seção (1-21). Novamente, estamos diante da incredulidade dos judeus, os quais resistem tenazmente em negar Cristo como Messias e Deus; acercando-se d’Ele, inquirindo-O irreverentes e céticos (v. 24). A resposta do Senhor é direta, mostrando-lhes o quão cegos estão diante de todos os prodígios que realizou, os quais testemunham a Sua filiação com o Pai, como Messias e Deus.
Diante da descrença dos seus inquiridores, fruto da arrogância que revela a ruína de todo o sistema religioso judaico, no qual os seus olhos são mantidos fechados para a Verdade das Escrituras, Ele expõe-lhes frontalmente o estado de perdição e condenação em que se encontram: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito” (v. 26).
É interessante como para o homem natural a Verdade jamais penetrará nos ouvidos moucos e nos corações impenitentes, por mais que se repita, a menos que o Espírito Santo aja regenerando, dando o novo nascimento a eles, tornando o natural em espiritual. E a prova é que Jesus, por diversas vezes, afirmou aos judeus tanto a própria divindade (Jo 5.36), como a própria condenação deles (Jo 5.37-43); os quais permaneceram duros e céticos, inflexíveis em sua impiedade.
Outro ponto é que, caso quisesse, Cristo poderia abrir-lhes os ouvidos, curar-lhes os corações e mentes, tornando-os ovelhas do Seu aprisco. Mas por que não o fez? Porque eles não eram do Seu rebanho: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (v.27-28). Quão maravilhosa é a salvação! Como ela é totalmente de Deus, para que nenhuma carne se glorie, e apenas Ele seja exaltado! Como o Senhor é poderoso em misericórdia e graça para salvar e sustentar a salvação de Suas ovelhas. Ele as conhece. O Senhor não conhecerá as Suas ovelhas, mas Ele já as conhece, e dá-lhes a vida eterna: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9). Não é uma possibilidade, veja bem, mas uma certeza. Cristo não nos dá a possibilidade de sermos salvos, de virmos a ser salvos num determinado momento ou de continuarmos perdidos eternamente. Não! Cristo nos salva e nos mantêm salvos, “porque todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37). A obra é toda e completamente d’Ele. Por isso, o Senhor lançava-lhes em rosto a condenação de suas almas, a perdição eterna, a qual é definitiva também, não havendo possibilidade de se reverter: “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27).
Ao assegurar a salvação, Cristo mostra a união que há entre o Pai e o Filho, de como são um (v.30): Ele e o Pai, ambos, garantem a salvação; estamos seguros nas mãos de Deus Pai e Deus Filho; ninguém nem nada nos arrebatará delas.
Porém, diante de tudo o que o Senhor diz à assistência judaica, os seus corações endurecem-se ainda mais, não lhes sendo suficiente acusá-lo de blasfêmia, mas matá-lo (v.31-33). Tomam em pedras para lhe atirarem, como fizeram em Jo 8.59. O que os levou a essa atitude? Os judeus, erroneamente, acreditavam que Jesus blasfemava contra Deus, ao fazer-se como Ele, portanto, em cumprimento a Lv 24.16, caber-lhe-ia a punição de morte.
Muitos dizem que Jesus Cristo jamais se proclamou Deus. O que, no mínimo, é uma mentira grosseira. Iludem-se crendo que Ele não passa de um iluminado, um mestre, um guru, contudo, à luz das Escrituras, é flagrante e patente a Sua condição de Segunda Pessoa da Trindade, o Deus Filho. Cristo possui todos os atributos de Deus: onisciência, onipresença, onipotência; Ele é justo (1Pe 3.18), santo (Hb 7.26), sem pecado (Hb 4.15)... e somente Ele é capaz de dar-nos a salvação (Jn 2.9; At 4.12; Rm 1.16; 2Ti 2.10; )*.
Há ainda de se entender que o Senhor veio cumprir a profecia de Isaías 53, onde o Cristo é descrito como o “Servo Sofredor”, o qual veio cumprir fiel e plenamente a vontade do Pai (Jo 6.38), culminando com o Seu sacrifício salvífico na cruz do Calvário, e três dias após, a Sua gloriosa ressurreição.
Em resposta à acusação de blasfemo, o Senhor lança-lhes ao rosto o próprio ceticismo com que o indagam, citando a lei: “Vos sois deuses” (Sl 82.6); “pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a Escritura não pode ser anulada, aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” (v.34-35). O significado do Salmo 82.6 não é o de equiparar-nos a deuses. Não somos deuses, nem o seremos. A alusão é feita ao próprio Deus como o juiz supremo, o qual está sobre tudo e todos, e que estabeleceu juizes, magistrados, no meio do Seu povo a fim de julgar com justiça os conflitos entre os homens (Dt 1.16-17). Portanto, Cristo imputa aos seus inquiridores a sentença de que, ao acusá-lO, o fazem injustamente, pois aparentam cumprir a lei ao querer matá-lo com pedras, porém, descumprem a própria lei ao julgá-lO injustamente, por desejar condenar o inocente, e, agindo assim, pecam contra o próprio Deus.
Cristo, de acusado, torna-se juiz daqueles homens, ao apontar-lhes incisivamente os seus pecados; porque, como disse: “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia” (Jo 12.48). Portanto, a lei que os judeus usavam para acusá-lO é a mesma que os condenará, pois, ao invés de buscar a justiça, agem segundo o seu coração endurecido, distorcendo a Verdade com o propósito de alcançar os seus perversos e ímpios intentos.
Ao confrontá-los com as obras que realizou, das quais eram testemunhas, e por intermédio delas conheceriam que o Pai está no Filho, e o Filho no Pai, revelando-lhes a unidade de Deus, e de que Cristo é Deus (v.38-39), e de que, ninguém a não ser Ele poderia realizar as obras que são de Deus; os judeus procuraram matá-lO. E a obstinação dos seus corações em agir iniquamente, confirma Marcos 4.12: “Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados”. Em João 12.40, Jesus cita Isaias 6.10: “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure”.
A soberania de Deus sujeita todas as coisas a Ele. Nada lhe escapa, e tudo lhE é submisso. Os judeus, como muitos hoje, estão cegos, surdos e em profundas trevas; inflexíveis em seus pecados, teimosos em sua rebeldia, trazendo sobre si a ira vindoura e a condenação eterna ao inferno.
Porém, àqueles aos quais o Filho revelou o Pai, pois “ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27), esses creram n’Ele (v.42), receberam a salvação, e participarão da Sua eterna glória.
Como Pedro disse: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19)... Porque é chegado o Reino dos Céus (Mt 3.2).
* Sobre a divindade de Cristo ler http://tabernaculobatista.blogspot.com/2008/09/cristo-deus.html

sábado, 20 de setembro de 2008

VOCÊ ESTÁ MORTO?












Por Jorge Fernandes

A morte é inevitável. Todos morrerão um dia, a menos que, antes o nosso Senhor volte em glória para unir-se à Sua igreja. Enquanto isso, não damos muita importância a ela, ou fingimos não dar, mas sentimo-la rondar-nos. Sua presença é constante, seja nos noticiários, nos filmes, livros, no trabalho, nas ruas, na mente...
Às vezes é alardeada pelas sirenes, pelas multidões nos velórios, pelas páginas dos jornais, pelos gritos de desespero... Outras vezes, uma manchinha de sangue na calçada, uma lágrima furtiva, ou um aperto silencioso no coração impedem que ela passe despercebida... Em alguns casos, ocorre anônima sem que alguém note, sem que haja um nome, e mesmo um corpo.
A morte pode vir súbita como num acidente, ou prolongada por uma doença dolorosa; pode nos atingir prematuramente, mesmo no ventre materno, como muito avançada em idade; não escolhe sexo nem cor, peso nem altura, fortes nem débeis, ricos nem pobres; acomete tanto na terra, no ar, ou mar... quase alcançou os tripulantes da Apolo XIII, em pleno espaço sideral.
Ela está a rondar solerte, pairando sobre nossas cabeças, pronta para decepá-las. Pode vir como uma brisa prolongada, ou como uma borrasca instantânea, mas, invariavelmente, não será precedida por uma festa ou alegria [mesmo contida] do candidato a morto; e revelará aos vivos a transitoriedade da vida.
Por falar em vida, o que ela é? [esquecendo-nos um pouco da morte]. Podemos defini-la como existência, animação, tempo, estilo ou um modo de se subsistir. Mas em todas essas definições ou alusões temos um estado finito, efêmero, no qual ela estará sujeita à temporalidade, o que levará muitos a crer apenas na sua materialidade, numa realidade exclusivamente terrena; e esta conclusão nem mesmo é uma ínfima fração da verdade.
Definição precisa [ainda que amarga] nos deu um homem sobre a vida terrena: “Os meus dias são mais velozes do que a laçadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é como o vento” [Jó 7.6-7]. Moíses concluiu: “Passamos os nossos anos como um conto que se conta” [Sl 90.9]... “Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” [Tg 4.14]. Portanto, a vida é algo fácil de perder, pode nos ser tirada a qualquer momento, ainda que a julguemos segura, e esforcemo-nos em propiciá-la. O alento de sustentá-la nunca será suficiente, mesmo que o dispensemos diligentemente... Diante da mais sutil ameaça, a angústia sobrevirá, pois o fim de todas as coisas é a morte: “Que homem há, que viva, e não veja a morte? Livrará ele a sua alma do poder da sepultura?” [Sl 89.48].
Mesmo a vida, num determinado momento, se sujeita a ela...
Não quero trazer-lhe tristeza, nem angústia, nem apressar o que talvez demore ainda muito tempo a acontecer. Ao tocar neste assunto, quero falar é da esperança e da certeza que nem mesmo ela, a morte, é capaz de destruir.
A Bíblia afirma que o último inimigo ao qual o Senhor Jesus derrotaria seria a morte [1Co 15.26] , “porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés” [v.27].
Como homem, Cristo padeceu e morreu na cruz do Calvário, para expiar os nossos pecados, e nos dar vida eterna; “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” [Rm 6.23]. Cristo morreu para que tivéssemos vida, não apenas por alguns anos ou décadas, mas por toda a eternidade.
Por Sua graça e misericórdia substituiu-nos, recebendo a ira divina que nos seria destinada; “porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” [1Co 15.21-22].
Ao terceiro dia, Ele ressuscitou, e então, o jugo da morte não mais prevaleceria sobre o Seu corpo; Ele venceu-a: “tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele” [Rm 6.9].
Assim, todo o que reconhece o Seu sacrifício na cruz herdará a vida, e jamais morrerá, porque a primeira morte é física, mas a segunda morte é a completa e eterna separação de Deus, quando os que se mantiveram rebeldes a Ele serão lançados no lago de fogo inextinguível, ou seja, a morte definitiva, inexorável. Cristo, através da Sua morte, deu-nos a vida, a qual nem mesmo o tempo será capaz de destruir, porque, como disse, “se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte” [Jo 8.51], “não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” [Jo 5.24].
Portanto, não há o que temer, antes, ansiar o momento em que encontraremos o nosso Senhor e Salvador, como Paulo disse ao referir-se à própria morte: “tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” [Fl 12.3].
Deus é o protetor da vida; devemos depositá-la em Suas mãos, o qual é fiel para conservá-la, “porque eu sei em quem tenho crido [Cristo], e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” [2Tm 1.12], quando O vislumbraremos face a face, “porque assim como é o veremos” [1Jo 3.2]. Porquanto, os efeitos dos nossos inimigos, o pecado e a morte, foram anulados por Jesus Cristo, tragados por Sua vitória [1Co 15.54].
Então, a morte torna-se inofensiva diante da gloriosa vida que Deus nos concede; não a todos, mas para os que confessarem Cristo, pois, “qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” [Mt 10.33]; porque “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" [Jo 14.6].
Sem Cristo, você já está morto!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

100% SOBERANO

Comentário de João 10.1-21












Por Jorge Fernandes

Diante da dureza dos corações e da incredulidade do povo judeu, Cristo revela-lhes que somente há um pastor, o qual é Ele. Não há outro. Muitos se dizem pastores... há mesmo uma idéia relativista de que todos os caminhos levam a Deus. Mas somente um caminho pode levar o homem a Deus: Cristo nosso Senhor (Jo 14.6). O Senhor aponta o sistema religioso judaico como os falsos pastores, lobos na verdade, o qual foi contaminado por filosofias, tradições e o legalismo, tornando-o um sistema corrompido em que, supostamente, o esforço do homem em cumprir certas regras garantir-lhe-ia a salvação.
Em contraste a esse esquema extrabíblico e que glorifica o homem, os patriarcas e profetas depositavam as suas almas em Deus, creditando a Ele, por Sua graça e misericórdia, o poder de serem salvos e alegrarem-se na salvação que vinha apenas do Senhor (Sl 18.2, 35.9, 118.14; Is 61.10).
Portanto, Jesus Cristo é o único pastor, o qual me faz deitar em verdes pastos, e guia-me mansamente a águas tranqüilas, refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça (Sl 23.2-3).
É surpreendente como o apóstolo João deixa clara a atividade, a ação positiva do Senhor, e a nossa passividade. Ovelhas são animais que carecem de extremos cuidados. Se não tiverem uma atenção especial, tornam-se presas fáceis do inimigo. Logo, necessitam de um pastor. O qual está disposto a morrer por elas; se preciso for, dar a vida por elas. Cristo morreu por seu rebanho. Ele não morreu pelo rebanho do vizinho, nem por todas as ovelhas do mundo, mas exclusivamente por Suas ovelhas, as quais O seguem porque conhecem a Sua voz. Por isso, Ele se proclama o bom Pastor, aquele que conhece as Suas ovelhas, e delas é conhecido. “Como o pastor busca o seu rebanho... assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas” (Ez 34.12). A ação de buscar as ovelhas é totalmente do Senhor, e não a nossa de ir até Ele, o que evidencia claramente a Sua soberania em escolher aqueles que farão parte do Seu rebanho, porque “o Senhor conhece os que são seus” (2Tm 2.19).
A idéia de que Cristo morreu por todos é enganosa. Se Ele morreu por todos, então todos são ovelhas do Seu rebanho, portanto, ninguém se perderá. Isso é universalismo, é heresia, e se opõe flagrantemente às Escrituras, que não afirmam que todos serão salvos, antes que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 20.16, 22.14).
Cristo disse que o Seu rebanho não era formado exclusivamente de judeus, mas de outras ovelhas que ainda não faziam parte do Seu aprisco. Novamente a ação é completa do Senhor, porque “também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor” (v.16). Fica claro que Jesus não veio exclusivamente para os judeus, mas também para os gentios, pois, “vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto. Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef. 2.17-18); não vindo apenas para a nação de Israel, mas também para os gentios, “para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos” (Jo 11.52).
Não há meio-termo naquilo que Jesus diz. Ele não cogita algo “provável” que pode vir a ser improvável, nem faz conjecturas, nem deixa ao ouvinte qualquer dúvida sobre o que diz; sempre encontramos n’Ele a certeza de que tudo dito se cumprirá, porque é completa e totalmente a Verdade. Por que tudo o que se realizará depende exclusivamente da Sua vontade, e a vontade de Deus não é um mero desejo que pode ou não se concretizar, que está dependente das circunstâncias; e esses “reveses” poderiam frustrá-lo. Ao contrário, o Deus Eterno e Único é quem faz as circunstâncias para que os Seus eternos decretos sucedam-se tal qual os planejou. Então, não há como algo ou alguém (mesmo uma criatura poderosa como satanás) malograr os desígnios divinos, porque “bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido” (Jó 42.2).
Cristo revela-nos que ao servir o Pai e os Seus eleitos, o faz livremente, assim Ele quer: “porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou” (v. 17,18). Claramente o Senhor diz que o poder de dá-la e tomá-la lhE pertence (v. 18), portanto, não resta dúvida quanto ao cumprir-se fielmente Seus propósitos: Cristo é 100% soberano, como Senhor que é.
Jesus se dirige claramente ao grupo de escolhidos, os quais chama de amigos: “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelo seus amigos” (Jo 15.13). Ele não o faz pelos seus inimigos, mas aos amigos, ainda que temporalmente o amigo não saiba sê-lo, mas o Senhor o sabe antes da fundação do mundo, quando desde sempre somos feitos Seus amigos.
Outra evidência é de que Deus Pai e Deus Filho são um, e a salvação é dada àqueles que são entregues a Cristo pelo Pai: “Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo 17.11).
Da mesma forma que os judeus questionavam a Jesus àquela época (alguns o achavam louco ou endemoniado), hoje, igualmente, muitos pregam e crêem em um senhor menor, que nem sempre é Deus, ficando à mercê da vontade caída e frágil do homem. Esses proponentes do “deus menor” se apegam ferrenhos à necessidade de liberdade plena e completa para que a responsabilidade humana seja “funcional”. Para que o homem seja condenado é necessário que tenha o famigerado livre-arbítrio, o qual é tão poderoso em si que o próprio Deus se curvaria à sua autoridade, se fosse possível. A justiça está no próprio homem e não em Cristo que é quem nos justifica; “porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia” (Jó 9.15); porque “ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores” (Is.53.12).
Não crer na soberania plena de Deus, a qual é claramente exposta em João 10.1-21, é desmerece-lO, menosprezá-lO, é torna-lO frágil, omisso, dependente e submisso à vontade humana (ainda que o seja apenas em nossa mente); porque o Senhor não pode ser guiado ou impelido a se conformar ao nosso desejo; o fim de tudo não é Deus seguir os nossos conselhos, mas levar “cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2Co 10.5); porque “o conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração” (Sl 33.11).
Aquele sem entendimento louva a si mesmo, mede-se a si mesmo fora da medida, e não segundo a reta medida que Deus deu; a qual é: “aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (2Co 10.17).